domingo, janeiro 22, 2006

Relações - parte 1


Imagem retirada em : www.fearutopia.com

Tenho-me apercebido (e não sou só eu) da crise que tem afectado uma boa parte dos relacionamentos de pessoas que conheço e que são aproximadamente da minha idade. Tenho conversado com as pessoas sobre isto. A teoria da Gui é que somos de uma geração que abomina o divórcio e que procura insistentemente encontrar aquela pessoa com quem conseguimos ter a certeza de sermos felizes para sempre. Outra opinião que recolhi é a de que muita gente começa relações demasiado cedo e chega a uma altura em que sente necessidade de experimentar outras relações. Penso também que o facto de estarmos numa fase de mudanças, em que começamos a trabalhar, influencia muita coisa. É uma altura em que as vidas se alteram, mais stress, ambientes novos, pessoas novas. Isto influencia os espíritos e por vezes a coisa começa a ceder por aí.
Relações longas de namoro são difíceis de manter. Mas também são extremamente difíceis de ultrapassar. O desgaste dos anos leva a que a magia inicial se perca. As pessoas acomodam-se às relações, não investem tanto. Tomam o outro como garantido e só quando o vêem fugir é que voltam a querer lutar. Na verdade cria-se uma habituação tão grande que as coisas que eram especiais banalizam-se. O estar junto já não é aquele momento ansiado, torna-se normal. As saudades existem mas já não são tão marcantes. Descarrega-se no outro, por vezes, os nossos “stresses”. Há esta tendência para o desleixo que vai envenenando a felicidade que o relacionamento nos traz.
É portanto necessário lutar continuamente pela relação. E esta luta não pode jamais surgir de apenas um dos lados, porque ao fim de algum tempo também esse acaba por desistir de lutar sozinho e os problemas aparecem. Há que investir na relação, procurar evitar a monotonia. Não é fácil faze-lo, é preciso motivação, vontade. Aí há uma grande influência da personalidade das pessoas e da relação que criaram. Se for uma relação bastante aberta, de grande confiança mútua, então dialogam sem receios sobre a relação e vão alterando e mexendo nos pormenores que falham. Agora se a relação tiver um historial de pressões ou de não abertura, a coisa começa a falhar. Deixa-se de se dizer o que realmente se sente, esconde-se, oculta-se. E o veneno vai-se alastrando, fazendo ruir a relação.
Mas mesmo por pior que ande a relação, em relações longas, esta mantêm-se por tudo o que existe em comum. As pessoas não terminam relações longas por insatisfação somente. Como têm tanta coisa em comum e partilhada, não querem deitar mão disso, mesmo não se sentido realizadas na relação que têm. Arrastam a coisa até pontos complicados. Então por vezes tentam separar-se e voltar novamente a tentar, como se uma separação pequena fizesse milagres. E geralmente faz… nos primeiros tempos do recomeço. Mas há coisas que nunca voltam ao que foram. E os problemas com o tempo voltam a vir ao de cima, porque no fundo não foram realmente resolvidos. Volta a haver acomodação, falta de empenho, etc… Mas a relação é mantida à mesma, pela inércia. A inércia mantém relações. É preciso muita força e coragem para clivar a relação só por si. Acho que só em casos extremos é que alguém sai de uma relação para ficar sozinho. As pessoas ainda continuam a preferir manter as relações pelo que elas significam, mesmo que isso não as faça realmente felizes. Em casos de namoros longos então, há um factor importante que é as redes sociais comuns que se formaram. A pressão que o grupo de amigos faz para que as relações se mantenham. Esta pressão pode ser difícil de ultrapassar e há quem mantenha as relações com medo de perder os amigos ou por ter dificuldade em estar com os mesmos fora do âmbito dessa relação. Esquecem-se é que com o tempo a vida passa a ser mais a 2 e menos a 6, 7, etc… Os amigos continuam a existir mas encontram-se menos, cada um começa a ter a sua vida. Ou seja, com o tempo o que vai importar cada vez mais é a relação que se tem com o outro fora dos amigos. É com esse que se vai viver, que se vai partilhar a vida. E esse tempo vai ser a maioria do tempo. Essa relação que tinha falhas com essa aproximação, com o estreitamento, vai fazer com que os problemas se acentuem. Por isso, mais tarde ou mais cedo com o tempo as coisas voltam a falhar… com mais gravidade e num momento bem mais difícil de resolver.
Essa “coragem” para terminar relações vem muitas vezes de um factor externo: o aparecimento de outra pessoa. Eu diria que a grande maioria das relações longas terminam devido ao aparecimento de outra pessoa. Só aí há força real para procurar alterar as coisas de forma radical: ou para partir para nova relação ou para pressionar a pontos extremos o outro a mudar a sua forma de estar na relação. Aqui então forma-se as dúvidas “Partir para um desconhecido que nos pode fazer felizes ou pelo contrário ser uma desilusão?”, “Arriscar perder tudo o que se tem em detrimento de um futuro que não conhecemos?”, “Tentar alterar a relação que temos e torná-la melhor?”… Muitas dúvidas! Solução para as mesmas? Não há uma solução milagrosa. Arriscar pode ser a solução mas também pode muito bem não o ser. É preciso pesar pós e contras e acima de tudo sentir. Sentir é a base e o caminho mais certo. Sentir com quem é que nos sentimos completos. Quem é que procuramos nos momentos complicados. Quem é que realmente nos faz sentir bem. Em quem é que realmente pensamos. Com quem estaríamos disponíveis a viver o resto da vida. Quem é que realmente nos faz FELIZ. E esta palavra é aquela que resume tudo, no fim dos prós e contras, o caminho certo será sempre aquele que nos leva à felicidade, nunca o que nos leva à manutenção das coisas só pelo que custa perdê-las ou aquele que nos surge como novidade, pois nem sempre o que é novo e parece bom acaba por sê-lo.
Soluções? Ninguém as tem. Conselhos? Criem relações abertas e com muito espaço para discussão e reflexão entre os dois. Só assim podem superar os problemas em vez de os tentar encobrir na esperança que desapareçam, porque mais tarde ou mais cedo os problemas não resolvidos vêm ao de cima e com muito mais intensidade.

Assim que tiver mais tempo voltarei a reflectir sobre este assunto pois há mais variáveis em jogo e é tudo bem mais complexo. São livres de comentar e ajudar à coisa! Força ;)

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

concordo no geral. tens razao em relacao aos amigos, com a idade a vida é feita cada vez mais a 2. de resto, eu passei por uma dessas relações de acabar/voltar, tentámos 3 xs e sempre que se recomeçava eu iludia-me a pensar q as coisas finalmente tinham mudado. mas não tudo acabava por voltar ao mesmo. uma pessoa nao muda de personalidade por milagre e essas pausas na relacao ajudam apenas para q td corra bem temporariamente pq dp tudo volta a vir ao de cima. no meu caso foi assim e só me arrependo de ter perdido o tempo a tentar e tentar e tentar e se calhar ter desperdiçado oportunidades únicas q nao voltarei a ter...
xinhos

8:23 da manhã  

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